A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acaba de disponibilizar a Agenda Internacional da Indústria 2016. No documento, a entidade patronal apresenta as prioridades para a atuação da na promoção da inserção internacional das empresas brasileiras.

Segundo a entidade, as prioridades selecionadas são o resultado de um processo de construção em três etapas e cumprem uma das diretrizes centrais do Planejamento Estratégico da área internacional da CNI.

Acreditamos e defendemos o posicionamento de que a leitura da Agenda é obrigatória para o conjunto dos dirigentes sindicais e trabalhadores, em particular, bem como a sociedade, em geral, para conhecimento e formulação de alternativas ao comércio internacional.

A atual conjuntura tem sido muito negativa para o conjunto da sociedade com aumento do desemprego, retração da atividade econômica, diminuição e dificuldade de acesso ao crédito. O comércio internacional pode ser uma alternativa para esse momento. Desse modo, reproduzimos abaixo alguns tópicos da publicação.

O contexto internacional: incertezas e volatilidade
No cenário internacional, o começo de 2016 tem sido dominado por incertezas, com as previsões de crescimento econômico sendo revistas para baixo pelas principais instituições internacionais – Fundo Monetário Internacional (FMI) e Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) – em relação àquelas divulgadas no final de 2015.

Entre as principais tendências no cenário internacional, destacam-se:
• Fraco crescimento do comércio internacional e retração dos preços das commodities;
• Instabilidade nos mercados financeiros e maior exposição de países em desenvolvimento à volatilidade nos fluxos de capitais;
• Desaquecimento e redirecionamento do crescimento na economia chinesa do setor manufatureiro e dos investimentos para o setor de serviços e o consumo; e
• Redução das projeções globais de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e queda das importações nas economias emergentes e em desenvolvimento.

Dentre as ações prioritárias de negociações comerciais, se destacam:
1 – Ampliação do escopo e profundidade do acordo entre o Brasil e o México, com objetivo de atingir o livre comércio;
2 – Conclusão de um acordo ambicioso entre o Mercosul e a União Europeia, em termos de comércio, serviços e investimento;
3 – Atualização da agenda comercial e econômica da indústria brasileira para o Mercosul, com o aprofundamento dos acordos e o aprimoramento da governança técnica e administrativa do bloco; e
4 – Maior engajamento em negociações internacionais de serviços; e
5 – Atualização da proposta da CNI para a agenda pós-Doha da OMC.   


O contexto doméstico: moeda desvalorizada e retração da demanda interna
Em um contexto de forte contração da demanda doméstica e de câmbio desvalorizado, é nas exportações e nas oportunidades de substituição de importações que se concentram as melhores possibilidades de recuperação para a atividade industrial no Brasil.

Se, de um lado, uma moeda mais desvalorizada contribui para a competitividade dos produtos nacionais (principalmente para empresas que dependem menos de produtos importados), de outro, o cenário de demanda externa enfraquecida sugere que serão necessários esforços redobrados para conquistar mercados internacionais.

Nesse sentido, é fundamental que o Brasil avance na adoção de medidas que resultem na redução dos custos sistêmicos das operações de comércio exterior e adote estratégia voltada para a promoção da integração da produção doméstica às Cadeias Globais de Valor (CGVs) e aos fluxos de comércio internacional.

É fundamental também, já a partir de 2016, criar as condições para manter uma taxa de câmbio estável e competitiva. O câmbio tem efeito significativo sobre a competitividade e a qualidade da inserção internacional do Brasil, por isso a importância de uma política econômica coordenada que evite grandes oscilações ou valorizações excessivas no futuro. O conjunto de medidas necessárias para a redução dos custos de produção e de exportações é bem conhecido.

O atual contexto econômico no país, todavia, sugere que medidas que impliquem redução da carga tributária ou aumento de gastos públicos enfrentarão mais dificuldades de implementação. A Agenda Internacional da Indústria terá que lidar com o desafio de identificar medidas que conduzam à redução dos custos e ao aumento da competitividade com baixo impacto fiscal.

No nível das empresas – especialmente as de pequeno e médio portes –, a retração do mercado interno e o câmbio desvalorizado geram estímulos para que estas ingressem e se mantenham na atividade exportadora. Para aproveitar esta oportunidade, muitas empresas precisam preparar-se para atuar no exterior, adaptar seus produtos para comercialização e identificar potenciais parceiros para incremento de seus negócios.

Tendências e impactos do contexto doméstico sobre a Agenda

Tendência Impacto sobre a Agenda Internacional da Indústria
Retração da demanda interna e câmbio desvalorizado - Maior relevância do comércio exterior como vetor de retomada de atividade no setor industrial;
 - Agenda internacional ganha relevo na agenda da indústria;
 - Menor demanda por ações de defesa comercial; e
- Maior relevância dos serviços de apoio à internacionalização para viabilizar especialmente a entrada na exportação de Pequenas e Médias Empresas (PMEs).
Restrição fiscal - Dificuldades para avançar em iniciativas que impliquem aumento de gastos públicos direto (financiamento) e indireto (desoneração tributária);
- Aperfeiçoamento e simplificação burocrática de mecanismos de desoneração tributária têm maior possibilidade de prosperar; e
 - Limites à expansão das linhas de financiamento público às exportações;
 - Limites aos recursos para ações públicas de promoção de negócios.
Plano Nacional de Exportações

- Canal de diálogo com o governo;
 - Ênfase em facilitação de comércio alinhada com as demandas da indústria;
 - Necessidade de definir foco e alinhamento de prioridades na agenda de negociações comerciais previstas para o país;
 - Importância da coordenação institucional na área de promoção de negócios; e
 - Importância de associar serviços de apoio à internacionalização a objetivos e metas do Plano, inclusive na área de negociações comerciais.

Fonte: CNI.

Tendências e impactos do contexto internacional sobre a Agenda

Tendência Impacto sobre a Agenda Internacional da Indústria
Fraco crescimento da economia mundial e retorno da retórica protecionista - Ênfase no monitoramento e na remoção de barreiras externas ao comércio e aos investimentos; e
- Ênfase em medidas de competitividade doméstica.
Crescimento maior das importações nos países desenvolvidos - Aumento da prioridade nas ações de promoção de negócios nos países desenvolvidos.
Maior resiliência no crescimento dos Estados Unidos - Ênfase nas ações de diplomacia comercial e empresarial nos Estados Unidos; e
- Ênfase nas ações de promoção de exportações nos Estados Unidos.
Crescimento mais lento da China e manutenção de ritmo mais acelerado na Índia e em outros países asiáticos - Aprofundamento do conhecimento sobre os demais mercados asiáticos e, em especial, com a Índia.
Avanços nos acordos megarregionais de comércio - Incorporação dos acordos preferenciais de comércio como elemento central da política comercial brasileira;
 - Ampliação da agenda temática das negociações comerciais; e
 - Adaptação do portfólio de serviços à internacionalização aos desafios gerados pela assinatura da TPP, da Aliança do Pacífico e de outros acordos comerciais dos quais o Brasil não participa.
Nova orientação da política econômica na Argentina - Retomada da agenda econômica e comercial do Mercosul.
Reconhecimento da China como economia de mercado

- Avaliação das implicações para as ações antidumping no Brasil e defesa do não reconhecimento pelo país.

Fonte: CNI.

Influência sobre políticas comerciais Serviços para internacionalização de empresas
- Acordos comerciais;
 - Investimentos brasileiros no exterior;
 - Facilitação e desburocratização do comércio exterior;
 - Barreiras em terceiros mercados;
 - Tributação no comércio exterior;
 - Financiamento e garantias às exportações;
 - Defesa comercial; e
 - Mecanismos empresariais para mercados prioritários.
- Assessoria e consultoria;
 - Capacitação e sensibilização empresarial;
 - Inteligência comercial;
 - Promoção de negócios;
 - Operação comercial e aduaneira;
 - Adequação para o mercado global; e
 - Atração e promoção de investimentos.

Fonte: CNI.

Para participar dos fóruns de debate da CNI e colaborar com a Agenda Internacional 2016, entre em contato pelo e-mail Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

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