Este foi um ano em que perdemos muito. Espero que entremos em 2021 com as energias renovadas. Espero que tenhamos a lucidez necessária para gritar pelos oprimidos que habitam esse planeta e exigir de nós e dos governantes vontade de mudança.

Susana Buzeli*

Talvez o ano que termina possa nos ensinar o quão importante é a nossa relação com a natureza. Os noticiários, todos, sem exceção, falaram do vírus da Covid-19 e das precauções que devíamos ter para não sermos contaminados. Poucos, pouquíssimos, foram os relatos que associaram o vírus à destruição do meio ambiente.

A nossa Casa pede socorro e o lucro não permite que o Seu grito seja veiculado. As grandes fortunas, os grandes latifúndios, os bancos e todos que estão a serviço, curvados no ofício de envenenar a terra, a água, o ar e de fazer arder no fogo os nossos queridos irmãos — os seres vivos deste planeta —, todos nós vivendo o grande acordo do mercado.

Esta concepção de mundo escraviza e a conta chega para todos nós trabalhadores. Somos atingidos em nossa carne e em nosso espírito. A fórmula é para esgotar a nossa energia de esperança e luta.

No entanto, muitos já sabem de tudo isso e simplesmente preferem as drogas e os atos modernos, sejam eles lícitos ou ilícitos. A anestesia moral faz parte do processo desta bola que gira e vira um campeonato de inúteis tentativas. Métodos são criados e renovados enquanto a espécie humana continua imbatível no quesito paciência. O calendário vira a página.

Este foi um ano em que perdemos muito. Espero que entremos em 2021 com as energias renovadas. Espero que tenhamos a lucidez necessária para gritar pelos oprimidos que habitam esse planeta e exigir de nós e dos governantes vontade de mudança. Dizer não ao abandono e à indiferença e voltar a acreditar na Vida.

(*) Jornalista

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