João Guilherme: Três correntezas

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As três correntezas são a escolha das mesas diretoras das comissões temáticas da Câmara; o troca-troca partidário determinado pelas eleições municipais; e a escolha dos líderes partidários, em particular do PMDB, que definirá a correlação de forças no interior da comissão especial que vai apreciar o pedido de impeachment da presidente Dilma.

João Guilherme Vargas Neto*

Agora que começa o ano político (depois de um carnaval que passou longe da crise) as atenções devem se voltar à Câmara Federal que é o epicentro do quadro institucional.

Três correntezas têm impulsionado, na superfície e nas profundezas, as águas da Câmara, em um ano legislativo que não provoca as mesmas tensões no Senado.

A primeira delas é a escolha das comissões temáticas, represada pela vontade pessoal do presidente da Câmara que aguarda as decisões do STF. As comissões são muito importantes para o andamento dos processos decisórios dos deputados e, mesmo paralisadas suas composições, devem ser objeto de preocupação do movimento sindical que tem interesses muito definidos em vários temas.

A segunda correnteza é o troca-troca partidário que vai ocorrer durante 30 dias depois de 18 de fevereiro. Mas, a rigor, esta dança partidária interessa pouco ao movimento sindical porque atinge, no máximo, 5% do efetivo da Câmara e não altera significativamente o rol dos posicionamentos partidários; é uma soma de resultado quase nulo neste aspecto.

Já a terceira correnteza, as escolhas das lideranças de todos os partidos, que é uma correnteza profunda e parece grego aos olhos do movimento sindical, terá uma influência decisiva no encaminhamento e solução da crise política. Os novos líderes partidários indicarão os componentes da comissão especial que analisa o impeachment; sua composição, portanto, é estratégica.

Embora os meios de comunicação tenham dado pouca importância a essas escolhas (com exceção do acompanhamento da disputa no PMDB e o registro da mudança de 180 graus na liderança do PSDB) isso se deve muito mais à subestimação da mídia sobre os fatores institucionais de peso no jogo político do que à ignorância pura e simples.

O Diap prestaria um grande serviço aos dirigentes sindicais se produzisse um quadro sintético e racional das correntezas, profundas e de superfície, que agitam as águas da Câmara dos Deputados nesse início do ano legislativo.

(*) Membro do corpo técnico do Diap, é consultor de diversas entidades sindicais

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