Ex-vice-presidente da Câmara André Vargas pede desfiliação do PT

Share

Pressionado pela cúpula do PT a renunciar ao mandato parlamentar, em meio à suspeita de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, investigado na operação Lava Jato, da Polícia Federal, o deputado federal licenciado e ex-vice-presidente da Câmara dos Deputados, André Vargas (PR), pediu sua desfiliação do partido nesta sexta-feira (24). Em carta encaminhada ao diretório municipal de Londrina, domicilio eleitoral do parlamentar, comunica que está se desligando dos quadros "de filiados desta agremiação partidária".

Agência Câmara
andre-vargasVargas comunicou ao presidente estadual da sigla, Ênio Verri, ter entregado a carta pedindo a desfiliação. Ao Broadcast Político, Verri avaliou que Vargas optou por deixar o partido para "ter mais liberdade para fazer sua defesa".

Licenciado do cargo, Vargas informou também na carta que comunicará seu desligamento à Justiça Eleitoral de Londrina. O parlamentar enfrenta um processo no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados por quebra de decoro parlamentar.

Na última terça-feira (22), o presidente do PT, Rui Falcão, pediu a Vargas que renunciasse ao mandato para não prejudicar as campanhas da presidente Dilma Rousseff e dos candidatos aos governos de São Paulo, Alexandre Padilha, e do Paraná, Gleisi Hoffmann.

Vargas resiste às pressões. Se renunciar ao mandato parlamentar perde o foro privilegiado e passa a poder ser investigado pela Polícia Federal e Justiça Federal do Paraná, que conduzem as investigações da Operação Lava Jato.

Falcão disse ao deputado que, se ele não renunciasse, seria expulso pela Comissão de Ética do PT. Aliados de Vargas afirmaram, no entanto, que no PT não existe "rito sumário".

No partido, as previsões eram que o desfecho de um eventual processo na Comissão de Ética contra Vargas seria a expulsão. Foi então que, pressionado pelo governo Dilma e pela cúpula do PT, Vargas decidiu se desfiliar. "Não quero prejudicar Padilha, que é meu amigo", afirmou ele em conversas reservadas.

Queda vertiginosa e trajetória
Cotadíssimo para ser o presidente da Câmara na próxima legislatura – 2015-2018 – o deputado, que teria uma recondução ao Parlamento assegurada no pleito de 5 de outubro, caiu em desgraça e agora paga o preço pela suspeita de desvio ético-moral. Vargas agora está só. Talvez o próximo passo seja a renúncia do mandato.

O deputado iniciou sua militância social e política em 1983, espírita declarado, foi diretor do Albergue Noturno de Londrina. Foi vereador na cidade de Londrina eleito em 2000. Em 2002 foi eleito deputado estadual e em 2006 foi eleito deputado federal. Nas eleições de 2010 André Vargas foi reeleito o terceiro deputado federal mais votado do Paraná com 151.769 votos.

Foi presidente do PT no Paraná de 1998 a 2002, quando assumiu o cargo na vacância de Nedson Micheleti, tendo sido reeleito nas eleições seguintes. André Vargas foi candidato do PT para as eleições de 2008 para a prefeitura de Londrina, ficando em 5º colocado no 1º turno devido ao alto índice de rejeição de seu colega de partido e prefeito à época Nedson Micheleti.

Na Câmara dos Deputados foi relator da MP do Programa Habitacional do governo federal do Brasil o Minha Casa, Minha Vida nas duas edições programa, a convite do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

No início de 2014 Vargas ganhou as manchetes após ter erguido o braço com o punho cerrado ao lado do presidente do STF, Joaquim Barbosa, durante uma seção do Congresso (o mesmo gesto dos deputados petistas condenados por Barbosa no processo do chamado mensalão).

Poucos meses após esse episódio, Vargas começou seu calvário político, com acusações de ligações com o doleiro Alberto Youssef, que foi preso pela Polícia Federal por crime de lavagem de dinheiro. Em 15 de abril André Vargas anunciou que renunciaria a seu mandato de deputado federal, mas não o fez porque foi informado que o processo por suposta quebra de decoro não cessaria. (Com Agência Estado)

Nós apoiamos

Nossos parceiros