Com novo corte de 0,5 pp, Selic tem menor patamar da história

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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu cortar a taxa de juros em meio ponto percentual, de 7,5% ao ano para 7%. Foi o décimo corte seguido da Selic, que assim atingiu o menor patamar desde sua criação em 1986.

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A Selic era 2 vezes maior (14,25%) quando o ciclo de corte começou há pouco mais de 1 ano, em outubro de 2016. A decisão foi por unanimidade, sem viés e veio de acordo com o esperado pela média do mercado.

A Selic mais baixa até agora havia sido de 7,25% ao ano, vigente entre outubro de 2012 e abril de 2013. No entanto, há razões para imaginar que o patamar seja mais sustentável agora.

Uma delas é a inflação baixa. O objetivo oficial do Banco Central é perseguir em 2017 e 2018 um IPCA de 4,5% com 1,5 ponto percentual de tolerância para cima (6%) ou para baixo (3%).

As últimas projeções de mercado são de que a taxa fique em 3,03% em 2017 e 4,02% em 2018 – perto do piso e abaixo do centro da meta, respectivamente. A outra razão que sustenta o juro baixo é a atividade econômica, que vem ganhando força, mas sobre uma base muito baixa.

Quando o Copom aumenta os juros, encarece o crédito e estimula a poupança, o que faz com que a demanda seja contida e faça menos pressão sobre a atividade e os preços. Cortar os juros causa o efeito contrário.

O BC aponta no comunicado de hoje que a Selic está abaixo do seu nível estrutural, e, portanto, estimulando a economia. O ciclo eventualmente deve mudar, mas não há consenso no mercado sobre o quando isso deve ocorrer.

Futuro
O Focus aponta para a manutenção dos 7% ao longo de 2018, mas o chamado Top 5 da mesma pesquisa, que reúne os economistas que mais acertam as projeções, prevê novo corte para 6,5%.

No comunicado, o BC diz que a próxima reunião, marcada para 6 e 7 de fevereiro, deve ter “uma nova redução moderada na magnitude de flexibilização monetária” caso o cenário “evolua conforme esperado”.

Alguns economistas apostam que a taxa pode voltar a subir no final de 2018 ou início de 2019, o que depende de fatores como andamento das reformas e turbulências de mercado por causa das eleições.

“Se os dados do PIB melhorarem o ano que vem, ou mesmo se os resultados fiscais não se mostrarem mais robustos (que deve ser o caso), o Copom pode iniciar um processo de normalização da taxa”, diz André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimentos.

Spread
Se o juro básico está tão baixo, por que o mesmo impacto não é sentido por consumidores e empresas que tomam empréstimos? O motivo, segundo economistas, é que a Selic é só um dos componentes dos juros praticadas pelo mercado.

A diferença entre as 2 taxas, a Selic e a final para o consumidor, é chamada de spread bancário – historicamente mais alto no Brasil do que no resto do mundo.

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings, cita razões como a baixa competitividade no setor financeiro, o elevado endividamento do governo, o baixo nível de regulação em algumas modalidades como cartões de crédito e pouca segurança jurídica em operações de crédito com garantia.

Além disso, há a chamada “cunha fiscal”: a parte dos ganhos dos bancos que é absorvida pelo governo em forma de impostos ou pelo compulsório, a obrigação legal de depositar no Banco Central uma parcela dos recursos captados.

E isso sem falar na própria crise econômica. Dívidas acumuladas e o alto desemprego aumentam os níveis de inadimplência, levando bancos a tomar uma posição defensiva para manter suas margens.

E apesar do ritmo mais lento, os juros acabam eventualmente indo na mesma direção da Selic. O Santander anunciou redução de juros ainda antes do BC confirmar a decisão, e o Itaú Unibanco fez o mesmo segundos após o corte.

Esta foi a última reunião do Copom do ano e a ata da reunião vai ser divulgada na próxima terça-feira (12).

Juros na percepção dos trabalhadores
Em nota, a “Força Sindical defende queda mais acentuada na taxa de juros” diz a nota da central. Com “esta queda ‘conta-gotas’, o Banco Central perdeu uma ótima oportunidade para promover uma drástica redução na taxa básica de juros, que poderia funcionar como um estímulo para a criação de novos empregos e para o aumento da produção no País”, enfatizou a central.

“Juros menores e mais investimentos”, cobra a CTB. “Mesmo com as sucessivas reduções, o Brasil ainda possui a maior taxa de juros reais do mundo. É o que aponta o último estudo realizado da Infinity Asset Management que avaliou 40 economias em diferentes regiões do globo”, critica a central.

Até a publicação desta matéria, as demais centrais não haviam se posicionado publicamente sobre a redução da Selic. (Com Exame)

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