Tiririca se despede: “Estou decepcionado com a política”

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Em seu 1º e último discurso na Câmara, o deputado federal Tiririca (PR-SP) anunciou, nesta quarta-feira (6), sua despedida do Congresso. No plenário, o deputado chegou a anunciar o abandono da vida pública, indicando a renúncia, mas depois afirmou que cumprirá o mandato até o fim e não vai se candidatar à reeleição. Alegando estar “com vergonha”, se disse decepcionado com os colegas e com a política brasileira e pediu que os outros parlamentares “olhem pelo País”.

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Tiririca está em seu 2º mandato. Em 2010, foi o mais votado em São Paulo, com 1,35 milhão de votos. Em 2014, teve 1,01 milhão de votos e ficou em segundo lugar, atrás de Celso Russomanno (PRB-SP).

A renúncia de Tiririca se dá dias depois de ele conceder entrevista ao Conexão Repórter, do SBT, na qual disse ter recebido propostas de propina em troca de voto. Nesta quarta, ele indicou que não vai denunciar os colegas.

“Eu jamais vou falar mal de vocês em qualquer canto que eu chegar e não vou falar tudo o que eu vi, tudo o que eu vivi aqui, mas eu seria hipócrita se saísse daqui e não falasse realmente que estou decepcionado com a política brasileira, decepcionado com muitos de vocês”, afirmou. “Eu ando de cabeça erguida porque não fiz nada de errado, mas acho que muitos dos senhores não têm essa coragem”.

Aparentemente abatido, Tiririca fez o discurso de maneira espontânea. Os poucos deputados presentes filmaram com celulares o colega. Para Tiririca, o Congresso brasileiro “trabalha muito e produz pouco”.

Votações importantes
O deputado é um dos 8 mais assíduos da Casa e participou de votações importantes, como o impeachment da presidente Dilma Rousseff, em que votou pela abertura de processo de cassação. Ele também votou pela cassação do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Tiririca votou “sim” ao PL 4.567/16 (PLS 131/15), do senador José Serra (PSDB-SP), que desobrigou a Petrobras de ser a operadora única dos blocos de exploração do pré-sal no regime de partilha de produção.

Votou contra o PL 4.302/98, que tratou da terceirização geral da mão de obra; e também votou contra o presidente Michel Temer (PMDB) nas 2 denúncias, por prática de crime comum.

Esteve ausente na votação do PL 6.787/16, da Reforma Trabalhista, aprovado pela Câmara, em 26 de abril. E, finalmente, votou à favor da PEC 241/16, que congelou os gastos públicos, em termos reais, por 20 anos.

Veja a íntegra do discurso de Tiririca

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