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Reforma trabalhista tem de ser enfrentada com mobilização nas fábricas e articulação em Brasília

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O que estamos fazendo é um trabalho institucional, de convencimento dos contrários e ampliação de nossa margem de apoio no Congresso, hoje insuficiente para conter o avanço antitrabalhista e antissindical. Nesse caminho, temos, sim, avançando.

Sergio Luiz Leite*

A ficha caiu. Após a perplexidade causada pela violência da reforma trabalhista, dirigentes sindicais, ativistas e, especialmente, os trabalhadores e trabalhadoras começam a entender a nova realidade imposta pelo projeto arquitetado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). É uma nova realidade dura e difícil, mas que já está sendo enfrentada.

Na categoria químico-farmacêutica, estamos procurando nos adequar ao cenário desenhado pela reforma, cientes de que o melhor enfrentamento a fazer é o de aumento da organização e mobilização da nossa categoria. Foi assim que, como parte da atual campanha salarial, fizemos na semana passada um grande ato unitário para a entrega da nossa pauta de reivindicações às entidades patronais. Lotamos o auditório do Sindicato dos Químicos de São Paulo, ligado à CUT, com diversos dirigentes e companheiros da nossa Fequimfar, filiada à Força Sindical. Esse exemplo de luta unitária tende a se multiplicar em favor de resultados favoráveis às nossas bases.

Pessoalmente, tenho me desdobrado entre coordenar a campanha salarial em nível estadual, participando de assembleias, plenárias e reuniões. Ao mesmo tempo, cumpro um papel, que julgo da maior importância, de fazer o corpo a corpo com deputados, senadores e autoridades governamentais em Brasília, em busca de uma saída para o nó atado pela reforma que entra em vigor em 13 de novembro. A reforma estabelece o negociado sobre o legislado, mas tira dos sindicatos, federações, confederações e centrais os recursos necessários para travar essa mesma negociação. Um desequilíbrio flagrante e pautado pela má intenção contra a nossa classe.

Além de conter pontos frontalmente contra o trabalho decente e civilizado, como a desproteção às gestantes, a reforma impede o financiamento das atividades pelos trabalhadores. A ideia do legislador, claramente, foi a de asfixiar financeiramente nossas entidades.

Em Brasília, juntamente com o deputado federal Paulo Pereira da Silva, Paulinho, presidente da Força Sindical, e João Carlos Gonçalves, Juruna, secretário geral da Central, temos realizado encontros com políticos de todos os partidos, e mantido reuniões com as autoridades de governo diretamente ligadas ao assunto, como o presidente da República e o ministro do Trabalho. Nossa intenção é promover os ajustes necessários à reforma trabalhista.

O que estamos fazendo é um trabalho institucional, de convencimento dos contrários e ampliação de nossa margem de apoio no Congresso, hoje insuficiente para conter o avanço antitrabalhista e antissindical. Nesse caminho, temos, sim, avançando. Na semana passada, após diferentes reuniões com líderes partidários, chegou-se a um consenso de que a apresentação de um projeto de lei, com regime de urgência constitucional – e não de uma medida provisória, como se queria inicialmente – encontra mais apoio à tramitação dessas necessárias mudanças.

Acredito nessas negociações e posso afirmar que, pouco a pouco, estamos conseguindo convencer as autoridades e os políticos de que os ataques à atividade sindical desfechados pela reforma trabalhista são nocivos a todo o País. Não interessa à sociedade brasileira que a massa trabalhadora fique sem líderes, sem capacidade de negociação e, assim, sem meios de obter salários compatíveis com suas atividades e condições de trabalho dignas. Isso só jogaria o Brasil no caos econômico.

(*) Presidente da Fequimfar (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Químicas e Farmacêuticas no Estado de São Paulo) e 1º Secretário da Força Sindical

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