Em 2018, vencerá aquele que representar ‘inclusão’

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Lembrando a famosa eleição de Bill Clinton, em 1992. No Brasil, não é a economia. É a inclusão, estúpido!

Antônio Britto*

Ao ler a pesquisa do Datafolha deste final de semana, o leitor pode ficar com a impressão de que o brasileiro não sabe o que quer.

No levantamento, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva está colocado em 1º lugar.

Os entrevistados dizem que uma das principais qualidades de um presidenciável deve ser a experiência.

Ao mesmo tempo, afirmam que querem Lula na cadeia.

Apesar das aparências, o eleitor está sendo coerente. Quer Lula na cadeia e Temer processado. Isso porque, ao lado da competência, exige e cobra um comportamento ético.

Daí decorre a dificuldade a ser enfrentada na campanha por Lula e por qualquer outro que esteja envolvido nas acusações e processos decorrentes da Lava Jato.

Mas, na eleição de 2018, as discussões não serão esgotadas no campo da ética. Elas começarão pela ética, mas avançarão pelo tema de sempre: a inclusão.

Há um padrão nas 7 eleições realizadas desde a democratização.

Com inflação alta e desorganização da economia, venceu quem vendia futuro e esperança (Collor) contra todos que de alguma forma representavam “o que estava aí”.

Venceu Fernando Henrique, que personalizava o real, esperança de inflação baixa, retomada do emprego e do desenvolvimento.

Venceu Lula quando conseguiu, depois de 3 derrotas, conciliar a mensagem de equilíbrio (graças a Antonio Palocci) com a esperança de promover inclusão social em um cenário de economia então estabilizada.

E venceu Dilma que, apesar de tudo, significava a continuidade da inclusão.

Há uns 20 e tantos por cento ideológicos, à direita, geralmente saídos da classe média do Sul-Sudeste do país e com uma agenda que privilegia a ordem, a estabilidade, a ética.

Há outros 20 e poucos por cento ideológicos, à esquerda, também saídos dessa mesma classe média, das corporações, dos sindicatos e de setores como a universidade que privilegiam o repertório tradicional e conhecido da esquerda.

Mas, quem ganha eleição, quem está invicto são 40 a 50%. Não são ideológicos. Não se definem ou se localizam por região. São vítimas da desigualdade. Não têm plano de saúde. Sofrem com o SUS. Com as escolas públicas, péssimas. E, para eles, a violência é mais que o assalto ao carro ou à casa. A violência é ver os filhos mortos na frente do barraco pelas balas perdidas.

Querem e precisam de esperança. E esta vem da capacidade de o candidato apontar para o caminho da inclusão, da melhoria social. Se vier de alguém que, além disso, também passa experiência, como Fernando Henrique, ótimo. Se vier de alguém que transmitia amadurecimento (Lula, paz e amor), ótimo. Mas se não houver esse alguém, serve quem promete ainda que falsamente (Collor).

As pesquisas confirmam que há enorme espaço e exigência para a ética e a experiência. Mas elas serão inúteis se quem as defende não for visto como esperança de inclusão, se não souber falar para quem precisa.

O futuro da eleição está nas mãos, portanto, de quem é sensato/responsável. Ou estes produzem a alternativa inclusiva ou entregam a eleição ao inesperado-demagógico-populista,

Lembrando a famosa eleição de Bill Clinton, em 1992. No Brasil, não é a economia. É a inclusão, estúpido!

(*) Jornalista, executivo e político brasileiro. Foi deputado federal, ministro da Previdência Social e governador do estado do Rio Grande do Sul. Atualmente é presidente-executivo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa). Publicado originalmente no portal Poder360

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