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O alto custo da ambiguidade política; o financiamento da saúde pública PDF Imprimir E-mail
Sex, 13 de Janeiro de 2012 - 20:23h

Num país onde o SUS é utilizado por 80% da população, 61% consideram o serviço público de saúde ruim ou péssimo (CNI/Ibope, de 12/1). A contrapartida sinaliza um quase consenso: 95% afirmam que o ponto catalítico da insatisfação, a demora nas filas, requer mais investimentos em médicos e equipamentos.

O paradoxal e, profundamente preocupante, começa a partir daí. À sensatez do diagnóstico segue-se uma colagem de assertivas e proposições que mimetizam a postura da mídia e da elite brasileira em relação ao serviço público (leia matéria de André Barrocal nesta página).

A saber: 96% dos ouvidos pela pesquisa CNI/Ibope são contra aumentar impostos para suprir as deficiências do setor; 82% consideram que recursos adicionais poderiam ser obtidos 'se o governo acabasse com a corrupção'. Em resumo, a sociedade comprou a lenga-lenga que pavimentou a extinção da CPMF em 2007.

Cerca de R$ 40 bi anuais foram subtraídos então do orçamento federal, em operação lubrificada pelo jogral midiático da redução do 'custo Brasil'. O financiamento da saúde pública voltou ao debate no final de 2011 com a discussão da emenda 29. Inútil. Cristalizou-se a vitória da agenda ortodoxa no imaginário brasileiro.

Não por seu mérito. A esquerda - e como ela o governo da presidente Dilma, todo ele, sem exceção - contribuiu para esse desfecho. À artilharia conservadora, fez-se uma defesa envergonhada, ambígua, nada assertiva e quase clandestina da solução apresentada formalmente pelo PT: a criação de uma taxa 0,01% sobre o lucro bancário e sobre as remessas de lucros ao exterior.

O equilibrismo de bambolê entregou a opinião pública à semeadura ortodoxa, cujos frutos amargos são colhidos agora na pesquisa da CNI/Ibope.

A safra deixa o governo em apreciável saia justa: de um lado, espremido pela justa insatisfação popular; de outro, obrigado a dar respostas sem ter a legitimidade para alçar os meios necessário, cabíveis e justos. O oportunismo tem preço: é barato na entrada, caro na saída. (Fonte: Carta Maior; sexta-feira; 13/01/2012)

Comentários (1)
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escrito por Zilda, janeiro 14, 2012
Concordo com a CartaMaior. Oportunismo e ambiguidade do PT e do governo geram situações como esta. O governo Dilma será convencional como o foi o de Lula. Não será feita nenhuma mudança estrutural. Tudo continuará vulnerável ao sopro do primeiro direitista que voltar à presidência. As mudanças cosméticas que estão dadas não garantem continuidade.

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