Reforma política: o que mudaria com o ‘Distritão’ ou fim das coligações

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Por Antônio Augusto de Queiroz*

Sempre que um novo governo assume e o Congresso inicia nova Legislatura, o tema da reforma política ganha destaque no debate e na agenda dos poderes Legislativo e Executivo e também na mídia e na sociedade civil.

O tema é recorrente e já há consenso na sociedade e no Parlamento em relação à necessidade e até a urgência de uma reforma política, mas nenhum acordo a respeito do melhor desenho para os sistemas eleitoral e partidário.

O DIAP, para contribuir com o debate, fez duas simulações com os resultados da eleição para a Câmara em 2010 para mostrar como ficariam as bancadas dos partidos caso não tivesse havido coligação ou tivesse sido adotado o Distritão, a proposta que torna a eleição para a Câmara majoritária. Isto é, seriam eleitos os mais votados.

A diferença entre o sistema proporcional, com ou sem coligação, e o majoritário, (o Distritão), é que na eleição proporcional as vagas são distribuídas de acordo com o quociente eleitoral (divisão do número de votos do partido ou coligação pelo número de vagas do estado na Câmara Federal), cabendo ao partido tantas vagas quantas vezes atingir o quociente eleitoral, enquanto no sistema majoritário são considerados eleitos os mais votados, em ordem decrescente, até o limite de vagas.

A simulação, expressa na tabela abaixo, compara o resultado da eleição, com coligação, como aconteceu; com o sistema proporcional sem coligação; e com o Distritão. Os principais beneficiários nas duas alternativas são os três maiores partidos: PT, PMDB e PSDB.

 Simulação com o resultado da eleição para a Câmara em 2010

Siglas

Proporcional

(com coligação)

Proporcional

(sem coligação)

Distritão

(majoritária)

PT

88

108

91

PMDB

78

109

88

PSDB

53

65

65

PP

44

37

41

DEM

43

39

50

PR

40

37

35

PSB

34

30

29

PDT

26

24

22

PTB

22

14

22

PSC

17

11

17

PCdoB

15

10

14

PV

14

15

8

PPS

12

7

12

PRB

8

3

8

PMN

4

0

4

PTdoB

4

1

1

PSol

3

3

4

PHS

2

0

0

PRP

2

0

0

PRTB

2

0

1

PSL

1

0

0

PTC

1

0

1

Total

513

513

513

Fonte: todos dados utilizados para elaboração da tabela foram extraídos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), www.tse.gov.br


Entre os partidos médios, PP, PR, PSB e PDT perderiam nos dois cenários; o DEM ganharia com o Distritão e perderia com o fim das coligações, e o PTB empataria no Distritão e perderia com o fim das coligações.

Para os pequenos partidos, com menos de 20 deputados, o fim das coligações ou a adoção do Distritão também seria ruim. O PSC, o PPS e o PRB perderiam com o fim das coligações e empataria com o Distritão, enquanto o PCdoB perderia nas duas hipóteses e o PV perderia com o Distritão, mas ganharia com o fim das coligações.

Já entre os partidos muito pequenos, ou nanicos, como são conhecidos os partidos com menos de cinco parlamentares, ninguém ganharia com o fim das coligações. Perderiam nas duas hipóteses: o PTdoB, o PHS, o PRB, o PRB e o PSL. Ganharia com o Distritão apenas o PSol. O PTC empataria. Ficariam sem representação na Câmara, nas duas hipóteses, o PHS, o PRB e o PSL.

Os atores políticos e sociais, interessados na reforma política, com a simulação consolidada na tabela acima, já têm uma idéia de quem ganharia ou perderia com o fim das coligações e com a adoção do Distritão.

Para outras hipóteses, entre as quais o voto distrital, puro ou misto, ou a lista fechada e bloqueada no sistema proporcional, não seria possível uma simulação com base nos dados da eleição de 2010.

O debate está aberto e deve analisar todas as hipóteses que contribuam para: 1) dar consistência ideológica e programática aos partidos, 2) combater a corrupção, e 3) promover a equidade na disputa eleitoral. Este é o desafio do novo Congresso.

(*) Jornalista, analista político, diretor de Documentação do Diap e autor dos livros "Por dentro do processo decisório - como se fazem as leis" e "Por dentro do governo - como funciona a máquina pública"

Comentários  

 
0 #3 Merkel 20-10-2011 06:26
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0 #2 EULER 14-04-2011 10:40
QUETAL O LEGISLADOR . É JUSTAMENTE POR ISSO QUE TEM QUE TER UM CRITÉRIO MAIS QUALIFICADO E ADEQUADO AOS DESAFIOS CONTEMPORANIO "E QUE VENHA PARA REPRESENTAR O PARTIDO OQUE ELE TIVER DE MELHOR .( SE NAÕ VAMO FICA NA BAZE DO TE FIZ UM FAVOR TEM DE VOTA NEU )
 
 
0 #1 alexandre guedes 29-03-2011 12:38
caro amigo quando fala de lista fechada e um golpe na democracia o voto no brasil ele e fulanisado o povo vota na pessoa. sou vereador no municipio de sao joaquim do monte tenho 4 mandatos, em comunidade pequenas o cidadao quer votar naquele presta a ascistencia para a sua familia e nao votar no partido que depois iria escolher os seus representantis numa lista que estaria aquele que nunca teria feito um favor. tem que eleger o parlamentar que tenha votos e nao aquele que fica esperando sobra dos votos para poder puchalos e outros com votaçao superior perder uma eleiçao. tem que acabar com o quoeficiete eleitoral e as coligaçoes na propocional e vença quem tenha voto.
 

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