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João Guilherme Vargas Netto*
Os pesquisadores das Serasa Experian (estou com o nome limpo na praça!) acolitados pela USP e pelo IBGE arregaçaram as mangas e o resultado poder ser aferido pela reportagem do Brasil Econômico, cujo titulo diz tudo e muito mais: "País soma 39 classes sociais diferentes".
Estamos no caminho das Índias com suas 400 castas.
O caldeirão das classes apresenta ingredientes diversos e estranhos como uma feijoada, por exemplo, á "periferia jovem" que representa 21% dos cidadãos acima de 18 anos registrados com CPC, o "Brasil rural", com 16% de participação, os "excluídos do sistema", com 5,5% e, para quem gosta de rabo e orelha, "os empresários de sucesso nas grandes cidades, executivos e formadores de opinião", minoria significativa com 1,8% de representatividade.
Mais comedida, a FGV limitou-se às cinco primeiras letras do alfabeto e nos aponta, através de O Globo o crescimento espetacular da classe C de 64,1 milhões de brasileiros para 91 milhões e de 37% da renda nacional para 46% entre 2003 e 2008, detendo agora a maior fatia da renda nacional e criando um novo padrão de consumo.
Para a Fundação: classe AB (com renda familiar acima de R$ 4.807), 19,4 milhões de brasileiros que abocanham 44% da renda nacional; classe C (com renda familiar de R$ 1.115 a R$ 4.807) com os já mencionados 91 milhões que ficam com 46%; classe D (de R$ 768 a R$ 1.115), 43 milhões de pessoas e 8% da renda e a classe E (até R$ 768), com 29,9 milhões e 2% da renda.
Todas essas 'classes' precisam se informar. Mas, em 2008 os grandes jornais impressos, quase sem exceção viram cair suas tiragens e circulação, como informa o Meio&Mensagem de fevereiro.
Os 10 maiores jornais deixaram de imprimir durante o ano de 2008 uma quantidade de exemplares equivalente a toda edição anual, por exemplo, de um O Estado de S.Paulo.
Algumas quedas foram espetaculares: O Dia (-31,7%), Meia Hora (-19,8%), Diário de S.Paulo (-18,6%), Jornal da Tarde (-17,6%), Extra (-13,7%), O Estado de S.Paulo (-13,5%), Diário Gaúcho (-12,0%), O Globo (-8,6 %) e Folha de S.Paulo (-5,0%).
Isto tem sido compensado (nos balancetes) pela receita publicitária. Recebe-se, cada vez mais, propaganda e paga-se por ela.
Algo esta fervendo no caldeirão Brasil como deixam perceber estas sopas de números que selecionei.
(*) Membro do corpo técnico do Diap, é consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores em São Paulo
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