O primeiro Brizola
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- Publicado em Segunda, 21 Maio 2012 01:08
João Franzin*,
na Agência Sindical
Em 1989, fui um dos poucos jornalistas da minha geração a apoiar Leonel Brizola para presidente da República. Trabalhava no sindicalismo de Americana e região, onde chegamos a produzir panfleto para as portas de fábricas, dizendo, em manchete: "O verdadeiro candidato dos trabalhadores é Brizola". Completando: "Brizola é honesto, Brizola tem experiência".
Tenho vários e variados materiais guardados daquela época. Dia desses, reencontrei uma filipeta, em papel jornal, sobre "12 razões para você preferir o 12". No rodapé, vinha o apelo: "Por isso, vote 12 - Brizola". No verso, vinham 22 quadrinhos onde se assinalar o voto. O quadrinho de Brizola era o oitavo. Por coincidência, para quem acredita em coincidências, em primeiro lugar vinha o quadrinho do Lula.
Vale registrar as 12 razões: Brizola é o voto da educação, o voto da criança; Brizola é o voto do salário, o voto do trabalhador; Brizola é o voto da experiência, o voto de quem governou dois Estados; Brizola é o voto da honradez, o voto em quem não transige com a corrupção; Brizola é o voto no estadista, o voto no político brasileiro mais acatado em todo o mundo; Brizola é o voto na inteligência, o voto em quem sabe fazer; Brizola é o voto da coragem, o voto em quem enfrentou a ditadura e denunciou o Plano Cruzado; Brizola é o voto independente, o voto sem compromissos com o poder econômico; Brizola é o voto da coerência, em quem nunca traiu o povo; Brizola é o voto da esperança, em quem vai mudar o Brasil; Brizola é voto da libertação, o voto do história; Brizola é o voto do nacionalismo, o voto no Brasil.
Todas as razões relacionadas são pertinentes. Mas observe que o panfleto não cita algumas palavras fundamentais para o próprio trabalhismo brizolista, getulista e janguista: salário mínimo e CLT.
No Estado de São Paulo, Brizola foi muito mal votado em 1989. Em Minas, dizem, Brizola foi roubado, sendo impedido de passar para o segundo turno, quando derrotaria facilmente Collor de Mello. Havia um clima violento contra o bravo gaúcho, além de muita desinformação.
Uma vez, na porta da indústria têxtil Machado Marques (com quase mil funcionários), um trabalhador pegou um panfleto e tascou: - Nesse aí eu não voto. O Brizola é terrorista. Essa imagem, que era forte em alguns setores, havia sido construída maliciosamente pela ditadura, Igreja Católica e Rede Globo. Ou seja, pelo sistema.
Estou separando vários materiais sindicais, ou de campanhas relacionadas com o mundo do trabalho, para doar ao Centro de Memória Sindical, em São Paulo. Estamos, também, separando materiais produzidos pela Agência Sindical ao longo de mais de duas décadas, para doar ao Centro.
Brizola era amigo de Waldemar Tebaldi, trabalhista histórico que foi prefeito de Americana por quatro mandatos. Mais que uma vez nos encontramos por lá, em reuniões, em inaugurações de Cieps ou no "maracanã", que era a grande sala redonda em que nos reuníamos no gabinete.
São histórias, entre tantas, que precisam ser registradas, especialmente neste momento em que o Brasil institui a Comissão da Verdade, cujo objetivo é o resgate dos fatos, e Brizola Neto assume a Pasta do trabalho.
(*) Jornalista e assessor sindical


