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Lula homenageia Apolônio e Renée por papel na Resistência Francesa PDF Imprimir E-mail
Agência DIAP
Dom, 21 de Junho de 2009 18:53

Altas autoridades brasileiras e francesas, entre elas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e vários ministros participam, nesta segunda-feira (22), da homenagem a Renée e Apolônio de Carvalho, casal que teve grande atuação na Resistência Francesa contra o nazi-fascismo.

Presentes também Yves Saint-Geours e Danilo Santos de Miranda, os presidentes dos Comissariados francês e brasileiro do Ano da França no Brasil, que promove o tributo.

Também estarão presentes na Maison de France, no Rio de Janeiro, os ministros Juca Ferreira (Cultura), Paulo Vannucchi (Direitos Humanos) e Luiz Dulci (secretário-geral da Presidência), Marco Aurélio Garcia, assessor especial da Presidência, e o Cônsul Geral da França no Rio de Janeiro, Hugues Goisbault.

No evento, será exibido o longa metragem Vale a pena sonhar de Stela Grisotti e Rudi Böhm, que narra a trajetória de Apolônio de Carvalho. O ato é organizado pelo Consulado da França no Rio, pela diretora Stela Grisotti e a historiadora Nelie Sá.

Combates no Brasil, Espanha e França
Um símbolo da luta do povo brasileiro, Apolônio de Carvalho (1912-2005) se engajou no combate a favor dos ideais socialistas e contra os regimes de opressão.

Ele cursou Escola Militar e tornou-se oficial, mas queria mudar a sociedade brasileira e ajudou a fundar a Aliança Nacional Libertadora em 1935.

Foi preso pelo governo de Getúlio Vargas, teve sua patente militar destituída e foi expulso do Exército.

Em 1937 ele ingressou no Partido Comunista, que o enviou à Espanha - junto com 15 outros brasileiros - para combater na Guerra Civil, nas Brigadas Internacionais contra os fascistas do general Francisco Franco.

Com a derrota republicana em 1939, foi para a França, onde viveu no campo de refugiados de Gurs.

Em 1940 as tropas de Hitler invadem e ocupam a França. Apolônio foge de Gurs e ingressa na Resistência. E chega a chefiar a guerrilha antinazista no sul da França. Em agosto, comanda a liberação das cidades de Carmaux, Albi e Toulouse.

Por sua coragem, foi considerado um herói na França, onde foi condecorado com a Legião da Honra.

Em 1942, Apolônio conheceu Renée Laugery, jovem marselhesa e militante comunista da Resistência. Renée, que se tornaria sua companheira para o resto da vida, será também homenageada no ato do Ano da França no Brasil.

Golpe, cisão, prisão e tortura
Apolônio voltou com sua família ao Brasil em 1946, prosseguindo a militância comunista. Na clandestinidade depois do golpe militar de 1964, participou da luta interna que questionava a linha oportunista do PCB.

Rompeu com ele em 1968 e com Mário Alves e outros formou o PCBR (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário).

Em janeiro de 1970 Apolônio de Carvalho tombou nas mãos do aparelho de repressão da ditadura e foi brutalmente torturado - Mário Alves, preso na mesma ocasião, morreu na tortura.

Apolônio teve um comportamento heróico, nada revelou a seus torturadores. Foi banido no ano seguinte, trocado pelo embaixador da Suíça junto com 69 presos políticos. Viveu o novo exílio em Argel e em Paris.

Retornou ao Brasil com a Anistia de 1979, fixando residência no Rio de Janeiro. No ano seguinte, assinou a ficha número 1 de filiação do PT, onde militou até a morte em 2005, participando da direção petista até 1987.

Passou a viver na clandestinidade e militar no PCBR, (Partido Comunista Brasileiro Revolucionário) até a ditadura militar, quando foi preso e torturado.

Em um grupo de 39 presos políticos, foi para Argel em 1970 em troca a um embaixador alemão seqüestrado por um comando revolucionário no Rio de Janeiro.

Viveu no exílio em Paris até 1979, quando retornou ao País com a Lei da Anistia. De volta ao País, foi um dos fundadores do PT (Partido dos Trabalhadores), onde militou até sua morte, em 2005. (Fonte: Vermelho, com informações do Ano da França no Brasil)

Serviço:
Homenagem a Renée e Apolônio da Carvalho
22 de junho, às 19h30
Teatro da Maison de France - Consulado Geral da França no Rio de Janeiro
Avenida Presidente Antônio Carlos, 58

Comentários (2)
...
escrito por João Carlos, junho 23, 2009
Demorou, mas finalmente o presidente Lula resolveu homenagear esse herói brasileiro e francês, que foi o companheiro Apolônio. Acho que cabe mais, talvez um monumento ou uma estátua. Homens como Apolônio devem ser eternamente lembrados.
...
escrito por Trajano Jardim, junho 22, 2009
Resgate da História

Mais do que justa a homenagem a Apolônio de Carvalho. Já que a história oficial não abre espaço para os verdadeiros heróis nacionais. Foi preciso haver o Ano da França no Brasil para se falar desse grande brasileiro que foi Apolônio. "Ou ficar a Pátria livre, ou morrer pelo Brasil". Foi o que sempre sonhou e lutou a vida inteira o Camarada Apolônio.

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