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Empresários querem ampliar representação no Congresso

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Ruralistas e industriais expõem seus interesses em relação às eleições de 3 de outubro próximo: eleger o máximo de representantes para ampliar o lobby empresarial no Congresso. Mais que desonerações, o capital quer ampliar seu poder no Legislativo para transformar sua agenda em regramento legal. Criticam redução da jornada, que chamam de "eleitoreira"

disputaPor Marcos Verlaine

Duas matérias de capa inteira, publicadas nesta segunda-feira (22), no jornal Valor Econômico demonstram que os empresários do campo, os ruralistas, e os da cidade, os industriais, jogarão muito peso para ampliar sua força política no Congresso Nacional.

Ambas as matérias são reveladoras em relação à agenda dos empresários no Congresso. O que demonstra que o capital quer mais que desonerações e reformas que ampliem suas possibilidades de obter mais lucros com seus negócios.

O lobby da CNI (Confederação Nacional da Indústria) contabiliza vitórias, como "o fim da CPMF em 2007, a desoneração dos investimentos, a aprovação da Lei Geral da Micro e Pequena Empresa são algumas das conquistas obtidas nos anos recentes". Mas também expões suas vicissitudes.

"Os sucessos, porém, não encobrem deficiências na representação do setor. Como reconhecem alguns líderes da indústria, as companhias de menor porte não estão devidamente representadas e a disparidade de interesses nas federações por vezes dificulta a obtenção de consensos - diferentemente do que ocorre nas associações nacionais, que defendem pautas de setores específicos, como Anfavea (veículos), Abimaq (máquinas e equipamentos) e Abinee (elétrica e eletrônica)", diz a matéria.

Não faltou proselitismo contra a redução da jornada, que os empresários dizem, agora, ser "eleitoreira".

"É uma proposta eleitoreira, que deve ser discutida em outro momento", afirma Côrte Real, que é presidente da Federação das Indústrias do Estado de Pernambuco (Fiepe). Para ele, a origem sindical do governo de fato dificulta o avanço da legislação na direção desejada pelos empresários.

Ruralistas
"Vamos apoiar gente de todos os partidos. Não interessa a cor, mas o credo na doutrina cooperativista", resume o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas.

"É lobby, sim. Mas é lobby positivo. Vamos nos organizar financeiramente para que nossos candidatos sejam apoiados", diz a presidente da CNA, senadora Kátia Abreu (DEM/TO), pré-candidata ao governo estadual. "Como não podemos doar, as empresas do agronegócio serão procuradas para contribuir com os candidatos do setor".

Contraponto
Sem nenhuma crítica, pelo contrário, todos os segmentos e interesses, numa democracia, devem estar ou tentar estar representados no Parlamento.

Assim, ao contrário de se lamentar e ver as forças do empresariado crescendo ou tentando crescer por meio da disputa eleitoral, os trabalhadores, por meio de suas entidades de classe - sindicatos, federações, confederações e centrais - devem arregaçar as mangas e botar o "bloco na rua".

Os trabalhadores devem disputar o poder e os espaços institucionais e eleger o máximo de representantes para as casas legislativas - estaduais e para a federal.

Nesta legislatura que caminha para seu desfecho, os empresários elegeram para a Câmara 219 representantes, e 27 para o Senado. Em contrapartida a bancada sindical reduziu seu peso numérico de 70 para 60 representantes.

Daí a necessidade de considerar essas eleições de 3 de outubro como a possibilidade de ampliação de suas forças para ampliar sua agenda e possibilidades de materializá-la, nas duas Casas do Congresso. Trata-se de um desafio, que precisa ser enfrentado com arrojo, pois se sabe que a disputa é desigual, já que o poder econômico desequilibra o jogo democrático.

O desafio está lançado.

Leia as matérias que reproduzimos na íntegra:
Organização empresarial: poder do segmento é maior no Congresso Nacional
Redução da jornada para 40 horas é foco de preocupação dos empresários
Bancada ruralista pretende dobrar de tamanho com doações de cooperativas

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